COMUNIDADES DE PARATINGA, SE AUTO DEFINE QUILOMBOLAS.

por pai publicado 22/10/2013 18h57, última modificação 09/07/2015 10h17
Em noite de festa e alegria a comunidade do Poção de Santo Antonio se reconhece como Quilombolas.

As comunidades de Poção de Santo Antônio e Barro, assumiram em reunião coordenada pela CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional), sua auto definição como QUILOMBOLAS, essas duas comunidades étnico-raciais segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória própria, dotadas de relações territoriais especificas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica.

Segundo o Vereador Aristóteles Gomes de Sá, mentor dessa ação, que também se identifica como quilombola, e luta para o reconhecimento do Bairro Tomba, em transformar como Quilombo Urbano. Esse trabalho iniciou desde 2010, com o Projeto Educativo e Cultural Tecendo a Historia do Tomba e Poção” Construindo identidade, idealizado por João Pereira, Herinalva Barbosa e a professora Marlice Cantunilia, todos da comunidade tradicional do Tomba. Com o objetivo de desenvolver uma política afirmativa, sustentável dos povos e comunidades tradicionais.

 

BREVE HISTÓRICO

D. Bela

As comunidades quilombolas localizam-se em 24 estados da federação, sendo a Bahia um estado que figura com maior parte de comunidades quilombolas. Paratinga apesar de suas características e costumes, nunca foi vista pelo poder público, mas porém, aconteceu de uma forma voluntaria de Toge que chamou atenção da sociedade e conseguiu criar no Poção de Santo Antônio sua primeira Associação dos Remanescentes Quilombola Lagoa do Jacaré, que no dia (13/10/2013) consegui dar um passo importante para a sua certificação.

Além dos quilombos constituídos no período da escravidão, muitos foram formados após a abolição formal da escravatura, pois essa forma de organização comunitária continuaria a ser, para muitos, a única possibilidade de viver em liberdade. De um modo geral, os territórios de comunidades remanescentes de quilombo originaram-se em diferentes situações, tais como doações de terras realizadas a partir da desagregação da lavoura de monoculturas, como a cana-de-açucar e o algodão, compra de terras, terras que foram conquistadas por meio da prestação de serviços, inclusive de guerra, bem como áreas ocupadas por negros que fugiam da escravidão. Há também as chamadas terras de preto, terra de santo ou terras de santíssima, que indicam uma territorialidade vinda de propriedades de ordens religiosas, da doação de terras para santos e do recebimento de terras em troca de serviços religiosos.